Poema do perdão

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Setenta vezes sete vezes… Aqueles números ficaram ressoando na alma de Simão Pedro por algum tempo, depois do breve colóquio com o Mestre.

Quantas vezes devemos perdoar? Há limites para o perdão?

Talvez muitos de nós tenhamos no coração as angústias que tinha o Apóstolo.

Porém, a conversa de Pedro com Jesus, sobre a importante temática, não findaria ali.

Quando a noite se vestiu de astros balouçantes, encravados na abóbada do infinito, em conferência particular, Simão voltou a interrogar:

E se alguém, com quem não simpatizamos, nos ferir, por motivo nenhum, será lícito reagir, apresentando-o ao juiz?”

“Não, Pedro. Todo aquele que agride, com ou sem motivo, encontra-se agredido em si mesmo.”

“Isto, porém,” – insistiu Pedro – “não significará apoiar a violência e permitir que os maus dominem os simples e os humildes?

“De forma alguma. Os maus estão doentes. Portadores de tormentos destruidores no imo de si mesmos. Revidar-lhes a ofensa é aumentar-lhes a capacidade de agressão.

Somente o amor, ungido de abnegação, consegue infundir a real transformação interior de alguém e demonstrar a grandeza da paz a quem a perdeu.”

E se da agressão pura e simples, ele partir para tomar nas suas mãos desvairadas a vida de um ente querido massacrando-o?

“Ainda aí” – redarguiu Jesus – “o perdão assume um papel preponderante, porquanto mais importante se nos apresenta o desafio do amor, quanto mais grave e difícil é a situação que nos leva a perdoar”.

“Mestre!” – propôs o companheiro com os olhos nublados – “Saber que um vândalo retirou do nosso caminho, pela violência, o filho, a esposa ou a mãe e não revidar, não significa apoiar e legitimar o direito da força?”

“Simão” – respondeu o Mestre, docemente – “o Pai estabeleceu leis das quais ninguém consegue fugir. Não colocamos aqui a questão em termos de esquecimento à responsabilidade nem desrespeito aos códigos legais estabelecidos. Refiro-me ao revide, ao ódio, ao plano de cobrança, por parte daqueles que foram atingidos pela enfermidade agressiva do próximo.

Além deles não fugirem da consciência, que não os esquecerá no tribunal de si mesmos, cabe-nos deixar que os organismos especializados cumpram com suas atribuições.

Nós, porém, permaneceremos confiantes de que nada acontece que não seja pela ‘vontade’ do Pai.

Assim, não provoquemos a ninguém, nem a ninguém firamos. Silenciemos as ofensas e dispensemos a misericórdia em toda parte e com todos aqueles com quem convivemos.”

“Mestre! E se nos matarem?” – Propôs o Apóstolo sincero com a voz sumida pela emoção.

“Viveremos, Simão. Ninguém mata a vida. Prosseguiremos vivendo tanto quanto o criminoso também viverá. Nunca te esqueças de que a posição de vítima é sempre a melhor, a mais feliz.

Quem aos outros fere, a si mesmo se fere. Quem ao próximo infelicita, a si mesmo se destrói no campo da emoção, com a diferença de que aquele que, aparentemente, é o perdedor, se amar e perdoar, estará isento de quaisquer aflições e ficará inatingido, portanto, feliz.”

*   *   *

Perdoar sempre. Lembremos disso. Perdoar sempre.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap.20,
do livro 
Pelos caminhos de Jesus, pelo Espírito
Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco,
ed. LEAL.
Em 16.11.2015.


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