{"id":12441,"date":"2017-08-25T15:59:31","date_gmt":"2017-08-25T18:59:31","guid":{"rendered":"http:\/\/thir.com.br\/portal\/?page_id=12441"},"modified":"2017-08-25T16:39:12","modified_gmt":"2017-08-25T19:39:12","slug":"vovo-rosa","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/thir.com.br\/portal\/vovo-rosa\/","title":{"rendered":"Vov\u00f3 Rosa"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/thir.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/92338cf5a46b3aa06efd4f354bf55402.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-12445 \" src=\"http:\/\/thir.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/92338cf5a46b3aa06efd4f354bf55402.jpg\" alt=\"\" width=\"294\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/thir.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/92338cf5a46b3aa06efd4f354bf55402.jpg 359w, https:\/\/thir.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/92338cf5a46b3aa06efd4f354bf55402-210x300.jpg 210w\" sizes=\"auto, (max-width: 294px) 100vw, 294px\" \/><\/a><\/p>\n<div id=\"panel-1405-0-0-0\" class=\"so-panel widget widget_sow-editor panel-first-child\" data-index=\"0\">\n<div class=\"so-widget-sow-editor so-widget-sow-editor-base\">\n<div class=\"siteorigin-widget-tinymce textwidget\">\n<h2 style=\"text-align: center;\"><i><strong>\u201cA ingratid\u00e3o \u00e9 um dos frutos mais imediatos do ego\u00edsmo; revolta sempre os cora\u00e7\u00f5es honestos.\u201d<\/strong><\/i><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"panel-1405-0-0-1\" class=\"so-panel widget widget_sow-editor panel-last-child\" data-index=\"1\">\n<div class=\"so-widget-sow-editor so-widget-sow-editor-base\">\n<div class=\"siteorigin-widget-tinymce textwidget\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\u00a0 Vov\u00f3 Maria Rosa fumegava seu pito e batia seu p\u00e9 ao som da curimba enquanto observava o terreiro, onde os cambonos movimentavam-se atendendo aos pretos velhos e aos consulentes.<\/div>\n<div>\n<div align=\"justify\">Mandingueira, acostumada a enfrentar de tudo um pouco nos trabalhos de magia, sabia perfeitamente como o mal agia tentando disseminar o esfor\u00e7o do bem.<\/div>\n<div align=\"justify\">Sob variadas formas, as trevas vagavam por ali tamb\u00e9m.<\/div>\n<div align=\"justify\">Alguns em busca de socorro; outros, mal-intencionados, debochavam dos trabalhadores da luz. Muitos chegavam grudados no corpo das pessoas, qual parasitas sugando sua vitalidade.<\/div>\n<div align=\"justify\">Outros, por sobre seus ombros, arqueando e causando dores nos hospedeiros, ou amarrados nos tornozelos, arrastavam-se com gemidos de dor. Fora os tantos que eram barrados pela guarda do local, ainda na porta do terreiro e que, l\u00e1 de fora, esbravejavam palavr\u00f5es.<\/div>\n<div align=\"justify\">Da mesma forma, o movimento dos exus e outros falangeiros se fazia intenso no lado astral do ambiente, para que, dentro do merecimento de cada esp\u00edrito, pudessem ser encaminhados.<\/div>\n<div align=\"justify\">Uma senhora com ares de madame se aproximou da preta velha para receber atendimento. Vinha arrastando uma perna que mantinha enfaixada.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 Sarav\u00e1, filha \u2013 falou Vov\u00f3 Maria Rosa, enquanto desinfetava o campo magn\u00e9tico da mulher com um galho verde, al\u00e9m de soprar a fuma\u00e7a do palheiro em dire\u00e7\u00e3o ao seu abdome, o que fez com que a mulher demonstrasse nojo em sua fisionomia.<\/div>\n<div align=\"justify\">Fingindo ignorar, a preta velha, cantarolando, continuou a sua limpeza. Riscando um ponto com sua pemba no ch\u00e3o do terreiro, pediu que a mulher colocasse sobre ele a perna ferida.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u201cSer\u00e1 que n\u00e3o vai pedir o que tenho?\u201d, pensou a mulher, j\u00e1 arrependida por estar ali naquele lugar desagrad\u00e1vel. \u201cVou sair daqui impregnada por estes cheiros!\u201d<\/div>\n<div align=\"justify\">Vov\u00f3 Maria Rosa sorriu, pois captara o pensamento da mulher, mas preferiu ignorar tudo isso. O que a mulher n\u00e3o sabia era a gravidade real do seu caso, ou seja, aquilo que n\u00e3o aparecia no f\u00edsico. Se ela pudesse ver o que estava causando a dor e o incha\u00e7o na perna, a\u00ed sim, certamente ficaria muito enojada. Na contraparte energ\u00e9tica, abundavam larvas que se abasteciam da vitalidade do que j\u00e1 era uma enorme ferida e que breve irromperia tamb\u00e9m no f\u00edsico.<\/div>\n<div align=\"justify\">Al\u00e9m disso, uma entidade espiritual, em quase total deforma\u00e7\u00e3o, mantinha-se algemada \u00e0 sua perna, nutrindo, assim, essas larvas astrais. Para qualquer ne\u00f3fito, aquilo mais parecia um cad\u00e1ver retirado da tumba mortal, inclusive pelo mau cheiro que exalava.<\/div>\n<div align=\"justify\">Com a destreza de um mago, a preta velha sabia como desvincular e transmutar toda essa parafern\u00e1lia de energias densas, libertando e socorrendo a entidade escravizada a ela.<\/div>\n<div align=\"justify\">Feitos os devidos \u201ccurativos\u201d no corpo energ\u00e9tico da mulher, Vov\u00f3 Maria, que \u00e0 vis\u00e3o dos encarnados n\u00e3o fez mais que um benzimento com ervas e algumas baforadas de palheiro, dirigiu-se agora com voz firme \u00e0 consulente:<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 Preta Velha at\u00e9 aqui ouviu calada o que a filha pensou a respeito do seu trabalho. Agora preciso abrir minhas tramelas e puxar sua orelha.<\/div>\n<div align=\"justify\">Ouvindo isso, a mulher afastou-se um pouco da entidade, assustada com a possibilidade de que ela viesse mesmo a lhe puxar a orelha.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u201cEscutou o que pensei? Ah, essa \u00e9 boa. Ela est\u00e1 blefando comigo.\u201d, pensou novamente a mulher.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 Se a madame n\u00e3o acredita em nosso trabalho, por que veio aqui buscar ajuda? Filha, n\u00e3o estamos aqui enganando ningu\u00e9m. Procuramos fazer o que \u00e9 poss\u00edvel, dentro do merecimento de cada um.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 \u00c9 que me recomendaram vir me benzer, mas eu n\u00e3o gosto muito dessas coisas&#8230;<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 &#8230;e s\u00f3 veio porque est\u00e1 desesperada de dor e a medicina n\u00e3o lhe deu alento, n\u00e3o foi filha? \u2013 complementou a preta velha.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 Os m\u00e9dicos querem drenar a perna e eu fiquei com medo, pois nos exames n\u00e3o aparece nada, mas a dor estava insuport\u00e1vel.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 Estava? Por qu\u00ea, a dor j\u00e1 acalmou?<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 \u00c9, agora acalmou, parece que minha perna est\u00e1 amortecida.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 E est\u00e1 mesmo, eu fiz um curativo.<\/div>\n<div align=\"justify\">A mulher, olhando a perna e n\u00e3o vendo curativo nenhum, j\u00e1 estava pronta para emitir um pensamento de desconfian\u00e7a quando a preta velha interferiu:<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 V\u00e1 para sua casa, filha, e amanh\u00e3 bem cedo colha uma rosa do seu jardim, ainda com orvalho, e lave a sua perna com ela, na \u00e1gua corrente. Ao meio-dia o incha\u00e7o vai sumir e sua perna estar\u00e1 curada.<\/div>\n<div align=\"justify\">N\u00e3o ousando mais desconfiar, ela agradeceu e j\u00e1 estava saindo quando a preta velha a chamou e disse:<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 N\u00e3o se esque\u00e7a de pagar a promessa que fez pra Sinh\u00e1 Maria, antes dela morrer&#8230;<\/div>\n<div align=\"justify\">Arregalando os olhos, a mulher quase enfartou e tratou de sair daquele lugar imediatamente.<\/div>\n<div align=\"justify\">O cambono, que a tudo assistia calado, n\u00e3o aguentando a curiosidade perguntou que promessa foi essa.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 Meu menino, o que n\u00f3s escondemos dos homens fica gravado no mundo dos esp\u00edritos. Essa filha, herdeira de um carma bastante pesado por ter sido dona de escravos em vida passada e, principalmente, por t\u00ea-los ferido a ferro e fogo, imprimindo sua marca na panturrilha dos negros, recebeu nesta encarna\u00e7\u00e3o, como sua fiel cozinheira, uma negra chamada Sinh\u00e1 Maria.<\/div>\n<div align=\"justify\">Esse esp\u00edrito mantinha la\u00e7os de carinho profundo pela madame desde o tempo da escravid\u00e3o, quando foi sua \u201cB\u00e1\u201d e, por isso, \u00fanica poupada de suas maldades. Nessa encarna\u00e7\u00e3o, juntaram-se novamente no intuito de que a bondosa negra pudesse despertar na mulher um pouco de humildade, para que esta tivesse a oportunidade de ressarcir os d\u00e9bitos, diante da necessidade que surgiria de auxiliar algu\u00e9m envolvido na trama c\u00e1rmica.<\/div>\n<div align=\"justify\">Sinh\u00e1 Maria, acometida de defici\u00eancia respirat\u00f3ria, antes de desencarnar solicitou \u00e0 sua patroa que, na sua falta, assistisse seu esposo, que era parapl\u00e9gico, faltando-lhe as duas pernas.<\/div>\n<div align=\"justify\">Deixou para isso todas as suas economias de anos a fio de trabalho e s\u00f3 lhe pediu que mantivesse com isso a alimenta\u00e7\u00e3o e os medicamentos. Mas na primeira vez que ela foi at\u00e9 a favela onde morava o homem, desistiu da ajuda, pois aquele n\u00e3o era o seu \u201cpalco\u201d. Tratou logo de ajustar uma vizinha do barraco, dando-lhe todo o dinheiro que Sinh\u00e1 havia deixado, com a promessa de cuidar do pobre homem. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que rumo tomaram as economias da pobre negra; em pouco tempo, para evitar que ele morresse \u00e0 m\u00edngua, a Assist\u00eancia Social o internou em asilo p\u00fablico. L\u00e1 ele aguarda sua amada para busc\u00e1-lo, tirando-o do sofrimento do corpo f\u00edsico. Nenhuma visita, nenhum cuidado especial. A madame se havia \u201cesquecido\u201d da promessa. Eu s\u00f3 fiz lembr\u00e1-la para que n\u00e3o tenha que voltar aqui com as duas pernas inv\u00e1lidas. A Lei s\u00f3 nos cobra o que \u00e9 de direito, mas ela \u00e9 infal\u00edvel. Quanto mais atrasamos o pagamento de nossas d\u00edvidas, maiores elas ficam. Por isso, camboninho, negra velha sempre diz para os filhos que a caridade \u00e9 moeda valiosa que todos possu\u00edmos, mas que poucos de n\u00f3s usam. Se n\u00e3o acordamos sozinhos, na hora exata a vida liga o \u201cdesperta-dor\u201d e, \u00e0s vezes, acordamos assustados com a barulheira que ele faz&#8230; eh, eh, eh&#8230; Entendeu, meu menino?<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 Sim, minha m\u00e3e. Lembrei que tenho de visitar meu av\u00f4 que est\u00e1 no asilo&#8230;<\/div>\n<div align=\"justify\">Sorrindo e balan\u00e7ando a cabe\u00e7a a bondosa preta velha falou com seus bot\u00f5es:<\/div>\n<div align=\"justify\">\u2013 Nega v\u00e9ia mat\u00f4 dois coelhos com uma cajadada s\u00f3&#8230; eh, eh&#8230;<\/div>\n<div align=\"justify\">E, batendo o p\u00e9 no ch\u00e3o, fumando seu pito e cantarolando, prosseguiu ela, socorrendo e curando at\u00e9 que, junto aos demais, voltou para as bandas de Aruanda.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div id=\"panel-1405-0-0-1\" class=\"so-panel widget widget_sow-editor panel-last-child\" data-index=\"1\">\n<div class=\"so-widget-sow-editor so-widget-sow-editor-base\">\n<div class=\"siteorigin-widget-tinymce textwidget\">\n<pre>Fonte:http:\/\/tendaluaze.blogspot.com.br\/2010\/04\/vovo-maria-rosa.html<\/pre>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u201cA ingratid\u00e3o \u00e9 um dos frutos mais imediatos do ego\u00edsmo; revolta sempre os cora\u00e7\u00f5es honestos.\u201d &nbsp; \u00a0 Vov\u00f3 Maria Rosa fumegava seu pito e batia seu p\u00e9 ao som da curimba enquanto observava o terreiro, onde os cambonos movimentavam-se atendendo aos pretos velhos e aos consulentes. Mandingueira, acostumada a enfrentar de tudo um pouco nos trabalhos de magia, sabia perfeitamente como o mal agia tentando disseminar o esfor\u00e7o do bem. Sob variadas formas, as trevas vagavam por ali tamb\u00e9m. Alguns em busca de socorro; outros, mal-intencionados, debochavam dos trabalhadores da luz. Muitos chegavam grudados no corpo das pessoas, qual parasitas sugando sua vitalidade. Outros, por sobre seus ombros, arqueando e causando dores nos hospedeiros, ou amarrados nos tornozelos, arrastavam-se com gemidos de dor. Fora os tantos que eram barrados pela guarda do local, ainda na porta do terreiro e que, l\u00e1 de fora, esbravejavam palavr\u00f5es. Da mesma forma, o movimento dos exus e outros falangeiros se fazia intenso no lado astral do ambiente, para que, dentro do merecimento de cada esp\u00edrito, pudessem ser encaminhados. Uma senhora com ares de madame se aproximou da preta velha para receber atendimento. Vinha arrastando uma perna que mantinha enfaixada. \u2013 Sarav\u00e1, filha \u2013 falou Vov\u00f3 Maria Rosa, enquanto desinfetava o campo magn\u00e9tico da mulher com um galho verde, al\u00e9m de soprar a fuma\u00e7a do palheiro em dire\u00e7\u00e3o ao seu abdome, o que fez com que a mulher demonstrasse nojo em sua fisionomia. Fingindo ignorar, a preta velha, cantarolando, continuou a sua limpeza. 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